Estética é artigo de luxo? sim ou não ?



Serviços destinados ao embelezamento e melhora da aparência são artigos de luxo. Colocar tais serviços como itens essenciais para vida humana podem provocar sofrimento e angústias seja nos pacientes sejam nos profissionais do ramo.


Olá queridos leitores e leitoras, esse artigo vai abordar um assunto provocante. Não, necessariamente polêmico .


Há tempos venho desejando abordar esse tema, mas confesso que tive mesmo que esperar um momento mais apropriado. Por isso, procurei escrever sobre o conteúdo de forma que os artigos que antecedem esse possam servir de embasamento para quem por ventura interessar aprofundar sobre o assunto.

A pergunta é : Estética é um artigo de luxo ? sim ou não ?


A razão para levantar esse questionamento é com a recessão econômica atual advinda dos efeitos da pandemia da gripe de coronavírus e, também, para motivar uma análise profunda sobre os atuais mecanismos de publicidade e ações de marketing que esse mercado vem utilizando para estimular seu consumo.

A estética e a beleza foram um dos setores anulados, quer dizer "isolados " comercialmente durante a pandemia . Caso queira saber mais sobre a estética em tempos de pandemia convido a leitura de um artigo que resumo as atividades e procedimentos durante o período no artigo " estética em tempos de pandemia "


Como todos que tiveram que realizar uma quarentena obrigatória. Cada um procura utilizar o tempo conforme lhe apraz, eu , no meu caso, acabei por procurar rever, analisar e acompanhar os profissionais e o mercado da estética.

Ao voltar meus olhos para redes sociais,publicidades e como cada um " vende seu peixe " pude perceber muitas coisas : Uma delas é que os temas e assuntos para cativar e atrair clientes são quase sempre os mesmos (demonstração de procedimentos, antes e depois, menções sobre algum agradecimento ou elogio pelo resultado,menções sobre como " eu gosto do meu trabalho" , selfies, selfies, selfies

O resumo é que em muitos casos, os argumentos tentam justificar a estética e o embelezar como um item essencial. Uma tentativa de impulsionar o consumo da estética de maneira frequente retirando- a de seu status de luxo .

A estética é luxo e posso começar apresentar as seguinte justificativa :

Qualquer objeto ou bem de custo elevado e que não é indispensável. Esse é um dos conceitos para o termo " luxo " .


A estética não é um bem essencial, a menos que você possa financia-la ou dependa da sua imagem para sua vida profissional.


Embelezar-se,ficar mais bonito aos olhos de si próprio ou de outrem não qualifica a beleza como um item essencial. Os atributos que justificam que a beleza e a estética não são essenciais fazem parte da própria essência da estética e da beleza ( leia o artigo beleza x juventude Clique aqui )

A beleza é relativa e condicionada a padrões culturais, temporários e relacionados à moda .


E se você considerar a estética como algo não luxuoso ?

Há quem considere que a estética não é artigo de luxo e que a democratização da beleza os quais por algumas redes de franquias que ofertam serviços à preços populares seria o argumento.

A popularização de um produto ou serviço não significa que ele deixe de ser um luxo.Basta lembrar do iphone e de outras marcas como a Louis Vuitton, Prada e outras grifes da moda que mesmo sendo conhecidas e populares tem seus preços mantidos no patamar de luxo como forma de posicionamento e estruturar uma cadeia de status econômico diferenciados. O que denota muito mais a globalização causada pela visibilidade do que necessariamente mais acessos ao produtos.

Ao contrário, o desejo por tais marcas luxuosas só aumentou a pirataria e a falsificação da marca.


Um item de luxo impele desejos e sonhos, o que naturalmente,na estética da beleza perfeita, é um sentimento concreto e real. Querer ser mais atraente, mais bonito, mais perfeito é um desejo comum e que na estética torna-se o produto; Entretanto, quando retiramos a estética da beleza da posição de luxo e tentamos torná-la algo essencial a pressão acarreta resultados mais negativos do que se imagina.

O desejo que vira obrigação provoca angústias ,sentimentos de invalidez,insegurança pessoal e impactos negativos na auto estima humana. Pior ainda,quando o coletivo profissional começa a inserir em seus negócios a percepção dessa falsa realidade.

E foi o que aconteceu...

A pandemia fechou clínicas,consultórios e serviços não essenciais e os salões de beleza,centros de estética ,clínicas de estéticas e consultórios exclusivos da estética tiveram que fechar suas portas por um tempo não definido.

Num primeiro momento,parecia que seria breve,mas como ,também, havia um não detalhamento claro das políticas de controle da pandemia os dias foram passando e a profundidade da crise mostrou que a sobrevivência ,a saúde são muito mais importantes que um tratamento estético.


A estética brasileira estava antes da pandemia , vivendo momentos de verdadeira "euforia ".

Depois da promulgação da lei do ato médico em julho de 2013 vieram os desdobramentos na estética. Cada categoria profissional, dentro do seu direito, decretou suas habilitações no ramo da estética, e com isso , a indústria e o mercado da estética voltaram a se aquecer..Esse aquecimento foi consequência muito mais pela " entrada " de novos profissionais no ramo do que necessariamente novos consumidores.A biomedicina estética, a farmácia e a última entrante neste mercado foi a odontologia que criou novos termos para procedimentos clássicos ( o que não é novidade ,a estética costuma inventar ou adotar termos para gerar destaques ..isso será assunto para outro artigo ).


A Harmonização Oro facial foi um termo criado para criar reserva


de mercado da odontologia na estética. Cabe lembrar que os uso das proporções de fibonacci na medicina são conhecidas e praticadas há mais de 100 anos . A cirurgia plástica utiliza para aprimoramentos e correções do nariz e a face .Os preenchedores e demais procedimentos estéticos para estabelecer uma proporção estética tem muitos nomes como a bioplastia, o MD Codes e outros nomes conceituais para o mesmo objetivo.


Destaco a odontologia como importante protagonista da estética porque reaqueceu o mercado de insumos e procedimentos que andava estagnado,porém a pandemia congelou novamente em conjunto com as outras profissões do ramo da estética.

A verdade que veio à tona com a pandemia é que era falsa percepção de expansão do mercado vivida pela estética( neste caso, por conta do acesso a créditos e da inclusão de brasileiros na classe C e D ficaram claras com a pandemia).

Agora vejam porque cito "falsa percepção " e bolhas . Os dados reais não tem sido levados em conta na estética para definir posicionamento e procurar estabelecer um equilíbrio neste ecossistema :

Segundo o IBGE que publica anualmente a síntese de indicadores sociais, seguindo o objetivo de traçar um perfil das condições de vida da população brasileira, procurando ressaltar os níveis de bem-estar das pessoas, famílias e grupos sociais, tendo como eixo de análise principal a perspectiva das desigualdades (entre os grupos sociais e de acesso a serviços); no padrão de vida e distribuição de renda :



  1. A População Ocupada cresceu 2,0% no período (sendo 3,1% até 2014, e - 1,1% nos três anos finais);

  2. Administração pública, Agropecuária e Indústria foram as atividades que apresentaram maiores quedas entre 2012/17;

  3. A População Ocupada de Serviços domésticos recuou no crescimento e cresceu na queda/estagnação.

  4. Entre 2014 e 2017, o aumento da subutilização da Força de Trabalho (FT) foi determinado pela ampliação da população em suas 3 componentes: desocupação (+6,2 milhões), subocupação (+1,5 milhão), FT potencial (+3,0 milhões), que alcançaram os maiores níveis em 2017.

  5. Aumento da taxa de desocupação (2014 = 6,9%; 2017 = 12,5%); Generalizado em todo o território: • 2014: maioria das UF com taxas inferiores a 10%, sendo oito com taxas inferiores a 6%; • 2017: maioria das UF com taxas acima de 10%, sendo nove delas acima de 14%. Nenhuma UF com taxa até 6%,

  6. No Brasil, a renda total apropriada pelos 10% com maiores rendimentos era 3,5 vezes maior que o total apropriado pelos 40% com menores rendimentos; Nas UFs, os valores extremos se encontravam no Distrito Federal (5,6 vezes) e Bahia (4,8 vezes) e em Santa Catarina (2,1 vezes) e Rondônia (2,2 vezes).

O relatório e síntese do IBGE demonstram que havia uma visão distorcida da economia e padrões de vida e que o aquecimento econômico que poderia haver pela entrada de 43 milhões de brasileiros na classe C e D eram na verdade uma perspectiva ou promessa .

A " bolha " da estética só não estourou porque a pandemia chegou primeiro.






A estética quando deixa de ser tratada como um item de luxo e passou a ser considerada " essencial " tem consequências que podem alcançar o desastre.

Os riscos de procedimentos não alcançarem seus resultados e a necessidade de ser refeito trazem efeitos negativos para o paciente que deixa de acreditar no potencial dos procedimentos e para o profissional testemunhos negativos que reduzem sua performance.

O lucro que poderia servir para impulsionar melhorias e melhor qualificação do serviço apenas serve para manter a sobrevivência do negócio o que resultado em empobrecimento a curto prazo.

A estética exige conforto,comodidades,mimos ,suporte e por isso colocar a estética num nível tão simples retira seus melhores efeitos que são a sensação de estima e auto estima resolvidas.


A estética sendo tratada como obrigatória e essencial coloca os profissionais numa expectativa alta dissociada da realidade da população e sociedade consumidora. Alias, a parcela consumidora da estética é pequena e menor ainda quanto mais alta for a classe social. Manter-se se frequente em tratamento estético embelezadores estimula distorções pelo lado do profissional e do consumidor que acaba tentando qualquer coisa para atingir seus resultados ou sobreviver neste mercado.

Manter a estética e a beleza como artigo de luxo valoriza o profissional qualificado,melhora os índices de performance de resultados e promove apenas o que ela é: um item de luxo.


O profissional que se atentar para o verdadeiro posicionamento da estética não terá muito problemas e nem irá sentir demasiado os confrontos e rusgas que o mercado competitivo da estética possui. Defnir algo como luxo não tem relação estrita com preço,mas a personalização o cuidado pessoal.


E você ? qual sua posição sobre o assunto ? deixe seu comentário e curta e pode compartilhar










Sobre o autor :



Dr. Jauru de Freitas, médico atua na saúde pública e privada . É mestre e professor em Dermatologia e tecnologias para cuidados da pele.Estudo marketing de serviços pela FGV .

O Dr Jauru de Freitas, pesquisa e desenvolve estudos com tecnologias desde 2004 e, atualmente, atua na engenharia médica de aplicativos para facilitar diagnóstico e cuidados médicos. Escreve e produz conteúdo científico. Na Medicina estética, atua há 18 anos na prática médica .



Referências e inspirações para o artigo :


Luxo para quem ? o mercado de luxo no Brasil - Fundação Getúlio vargas

A definição de Luxo - infopédia

Terapia do Luxo

Indicadores sociais IBGE - clique aqui

lei do ato médico - clique aqui

cirurgia estética barata- em espanhol artigo clique aqui

Como as grifes de luxo vêem a popularização - clique aqui


52 visualizações

CONECTE-SE CONOSCO

0
  • Instagram
  • Facebook Classic
  • Twitter Classic

Clubdabeleza-clubdabeleza.com é marca por direito do Instituto Brasileiro de Ciências Integradas para Saúde, Bem estar & Longevidade Ltda.

CNPJ: 10.199.377/0001-75 © - Bahia - Brasil